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sábado, 9 de abril de 2011

HOMO HIPOCRITUS...





Antes de ser um homem da sociedade, sou-o da natureza.”


(O outro) – Ciumenta!

-– Ciumenta, eu?

Claro que não, ciúmes são para não civilizados.

Amor, paixão... Atração sexual, feromônios!

Há várias maneiras para se discutir e justificar um relacionamento; mas no final de toda a discussão sobre o tema sempre se acaba apelando para o politicamente correto... Sempre o racional é chamado para justificar e controlar o bicho em nós...

Bichos domesticados não têm vontades... Não podem ter... Devem sempre se comportar... Obedecer... E, humildemente reconhecer o seu lugar... Bichos domesticados são bonzinhos... Educados... Não atrapalham... Fazem xixi e coco onde foi indicado... São treinados... Devem se calar quando mandarem e devem de cabeça baixa e abanando o rabo se dirigir ao dono sempre que solicitado... Devem sempre estar dispostos a um carinho, mesmo que com dor de dentes ou barriga... Bichos com personalidades são selvagens... São bárbaros e por isso mesmo inconvenientes e merecem ser banidos do convívio social..( O que aliás agradecem de antemão...)

Pois então... Onde foram parar nossos instintos... O que aconteceu com o bicho em nós??? Morreu??? Claro que não, do contrário não teríamos teses cientificistas a respeito de feromônios, por exemplo... Ahhhhhhhhh, dirão alguns que está submetido ao comando da razão... Afinal sempre fomos muito mais do que reles animais... Somos animais racionais!!! Ou... Animais autodomesticáveis...

Pois estou cansada de tagarelice... Minha razão me avisa o tempo todo dos perigos e incoerência das paixões e no entanto... No entanto, ela nada pode contra minhas tendências... Acabo sempre me dando... Me entregando... Desejando o que ela me diz ser pernicioso... Então, quero que se cale em mim a voz estridente, irritante e impotente da razão... Que mais parece aquela tia velha e recalcada reclamando obediência e repressão o tempo todo e que no entanto não tem fôlego para alcançar o traquina desobediente que insiste em correr atrás do que tem vontade... Cansei... Separemos o joio do trigo... Razão é razão e paixão é paixão!!! Cada um, cada um!!! Se for para elaborar uma tese para o bem da humanidade que se apresente a razão com sua orgulhosa sapiência... Mas se o assunto for paixão que seja então sepultada a tia velha... Se fui fêmea e me dei... Se fui fêmea pra em quatro patas me servir a você e recebê-lo completamente em minha carne... Em minhas entranhas... Se depois do gozo, como simplesmente fêmea, lambi o resto de seu sêmen... Se fui fêmea para como qualquer outro animal acasalar com você e com você me lambuzar nesse cio... Quero também marcar meu território... Quero mijar em você!!!! E assim todos estarão avisados... E, se teimarem... Se ousarem se aproximar do meu macho... Ai então terão que ser só bicho também... Quero morder... Quero ofender... Quero arranhar... E, descabelada, ,babando e urrando bater no peito e gritar que o que conquistei como animal... Como animal defenderei... Estou cansada da civilização... Todos escondem seu animal atrás de etiquetas e amabilidades... E, é só da sutileza que nasce a crueldade... Estou cansada de hipocrisias... O homo sapiens fácil se tornou o homo hipocritus...

Ciúmes??? Eu ??? Que besteira... rs

domingo, 13 de março de 2011

Feminilidade




"A natureza feminina é complexa e rica, é mãe natureza, é mulher fortaleza..."

Ser mulher é tarefa refinada... Porém, acredito que mais difícil ainda seja encontrar mulheres que saibam exalar sua verdadeira feminilidade!

Podem falar o que quiserem: a perspectiva das impressões femininas tem um requinte quase absoluto e inegável!

Gestos singelos, sensualidade, beleza natural, emoções sensíveis, sutileza... Coisas de mulher!

E você, já despertou suas nuances femininas hoje?

domingo, 21 de novembro de 2010

Telha de Vidro...



Telha de Vidro
(Rachel de Queiroz)


Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
Mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...
A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...

Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que — coitados — tão velhos
só hoje é que conhecem a luz do dia...

A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.

Que linda camarinha! Era tão feia!

— Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...

Por que você não experimenta?
A moça foi tão bem sucedida...


Ponha uma telha de vidro em sua vida!



Rachel de Queiroz, nasceu em Fortaleza - CE, no dia 17 de novembro de 1910, filha de Daniel de Queiroz e de Clotilde Franklin de Queiroz, descendendo, pelo lado materno, da estirpe dos Alencar (sua bisavó materna — "dona Miliquinha" — era prima José de Alencar, autor  de "O Guarani"), e, pelo lado paterno, dos Queiroz, família de raízes profundamente lançadas em Quixadá, onde residiam e seu pai era Juiz de Direito nessa época. 

Em 1930, quando tinha apenas 19 anos, lançou o livro O Quinze,  onde a seca passou a ser não apenas o ambiente, mas o próprio personagem da história narrada. Rachel de Queiroz foi a primeira escritora a integrar a Academia Brasileira de Letras, em 1977. 

Faleceu, dormindo em sua rede, no dia 04 de novembro de 2003, na cidade do Rio de Janeiro.

No ano de 2010 ocorreram vários eventos em comemoração ao centenário do nascimento da escritora, inclusive com lançamentos de obras de Rachel - entre eles Mandacaru, livro com 10 poemas, escritos quando ainda era muito menina. 

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Fatal!

FATAL
(Adélia Prado)

Os moços tão bonitos me doem,
impertinentes como limões novos.
Eu pareço uma atriz em decadência,
mas, como sei disso, o que sou
é uma mulher com um radar poderoso.
Por isso, quando eles não me vêem,
como se dissessem: acomoda-te no teu galho,
eu penso: bonitos como potros.
Não me servem.
Vou esperar que ganhem indecisão.

E espero.


Quando cuidam que não,
estão todos no meu bolso.


Adélia Luzia Prado Freitas - (Divinópolis, 13 de dezembro de 1935) é uma escritora brasileira. Seus textos retratam o cotidiano com perplexidade e encanto, norteados pela sua fé cristã e permeados pelo aspecto lúdico, uma das características de seu estilo único.  Professora por formação, exerceu o magistério durante 24 anos, até que sua carreira de escritora tornou-se sua atividade central.

Segundo Carlos Drummond de Andrade, "Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo: esta é a lei, não dos homens, mas de Deus. Adélia é fogo, fogo de Deus em Divinópolis". A escritora também é referência constante na obra de Rubem Alves.

Na literatura brasileira, o surgimento da escritora representou a revalorização do feminino nas letras e da mulher como ser pensante, ainda que maternal, tendo-se em conta que Adélia incorpora os papéis de intelectual e de mãe, esposa e dona-de-casa; sendo considerada como a que encontrou um equilíbrio entre o feminino e o feminismo, movimento cujos conflitos não aparecem em seus textos.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Poesia













Mulheres

Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.
Elas brigam por aquilo em que acreditam.
Elas levantam-se para a injustiça.
Elas não aceitam "não" como resposta
quando acreditam que existe melhor solução.
Elas andam sem novos sapatos
para as suas crianças os poderem ter.
Elas vão ao médico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.
Elas choram quando as suas crianças adoecem
e se alegram quando suas crianças ganham prémios.
Elas ficam contentes quando ouvem acerca
de um aniversário ou de um novo casamento.

  Pablo Neruda

terça-feira, 20 de abril de 2010

Desatinada...


Eu não sabia o que fazer, e abri a blusa.
Mais tarde eu ia dizer: foi sem pensar.
Ele me achou desnorteada, confusa,
Como acharia qualquer mulher que abre a blusa
E faz tudo que eu fiz só pra agradar.

Minha cabeca não era mesmo muito certa.
Mulher esperta eu nunca fui, mas deveria
Saber me colocar no meu lugar.
Não adiantava nada, eu era assim desatinada,
O tipo de mulher que faz as coisas sem pensar…

Você agora, me ouvindo contar essas histórias,
Talvez me ache também um pouco confusa.
E eu, que faço tudo pra agradar,
Já sem saber o que fazer, abro minha blusa,
Como faria qualquer mulher confusa em meu lugar!
(Moto-contínuo - Bruna Lombardi)

Ah... sei lá... Sempre me identifiquei com esse poema... Gosto dele há tempos!

Não sei o que dizer... nem o que fazer... Sou assim, desatinada! Acho que vou abrir a blusa... rsrs

^^

Hélia

domingo, 4 de abril de 2010

Indo para o leito - poesia



Elegia: INDO PARA O LEITO

Vem, Dama, vem, que eu desafio a paz;
Até que eu lute, em luta o corpo jaz.
Como o inimigo diante do inimigo,
Canso-me de esperar se nunca brigo.
Solta esse cinto sideral que vela,
Céu cintilante, uma área ainda mais bela.
Desata esse corpete constelado,
Feito para deter o olhar ousado.
Entrega-te ao torpor que se derrama
De ti a mim, dizendo: hora da cama.
Tira o espartilho, quero descoberto
O que ele guarda, quieto, tão de perto.
O corpo que de tuas saias sai
É um campo em flor quando a sombra se esvai.
Arranca essa grinalda armada e deixa
Que cresça o diadema da madeixa.
Tira os sapatos e entra sem receio
Nesse templo de amor que é o nosso leito.
Os anjos mostram-se num branco véu
Aos homens. Tu, meu anjo, és como o céu
De Maomé. E se no branco têm contigo
Semelhança os espíritos, distingo:
O que o meu anjo branco põe não é
O cabelo mas sim a carne em pé.
    
Deixa que a minha mão errante adentre
Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre.
Minha América! Minha terra à vista,
Reino de paz, se um homem só a conquista,
Minha mina preciosa, meu Império,
Feliz de quem penetre o teu mistério!
Liberto-me ficando teu escravo;
Onde cai minha mão, meu selo gravo.
    
Nudez total! Todo o prazer provém
De um corpo (como a alma sem corpo) sem
Vestes. As jóias que a mulher ostenta
São como as bolas de ouro de Atalanta:
O olho do tolo que uma gema inflama
Ilude-se com ela e perde a dama.
Como encadernação vistosa, feita
Para iletrados, a mulher se enfeita;
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns (a que tal graça se consente)
É dado lê-la. Eu sou um que sabe;
Como se diante da parteira, abre-Te: 
atira, sim, o linho branco fora,
Nem penitência nem decência agora.
   
Para ensinar-te eu me desnudo antes:
A coberta de um homem te é bastante.

               
(Tradução: Augusto de Campos)


John Donne (1572 - 1631) > Nascido em Londres de rica família católica, veio a converter-se ao anglicanismo. Foi um expoente da chamada Poesia Metafísica ( Filosófica ). Escreveu também muitos textos religiosos, e uma das suas 'Meditações' veio a inspirar o título de famoso livro de Ernest Hemingway.
Note, nessa poesia do séc. XVII, o erotismo nem tão sutil, embora imaginativo ou idealista.

sábado, 6 de março de 2010

Dadá



Sérgia Ribeiro da Silva, mais conhecida como Dadá nasceu em Belém de São Francisco, em 25/04/1915 em Salvador, foi uma cangaceira - única mulher a pegar em armas no bando de Lampião. Aos treze anos, é raptada por Corisco (Cristino Gomes da Silva Cleto) - o "Diabo Loiro", de quem seria prima.
Cabocla bonita, esbelta, conheceu o homem da sua vida de forma violenta, em meio a caatinga árida por onde vivia errante o bando de cangaceiros. Consta que seu defloramento provocara-lhe tanta hemorragia que por pouco não faleceu. A relação, que começara instintiva, transforma-se com o tempo. A vida nômade, seguindo o companheiro, que era o segundo homem, na hierarquia do bando, a chegada dos filhos, fez com que mais que uma amante Dadá se tornasse a companheira de Corisco com quem veio a se casar. Tiveram sete filhos, que eram ocultamente deixados em casas de parentes para serem criados. Destes, apenas três sobreviveram.
Num dos ataques feitos pelas
volantes (em outubro de 1939, na fazenda Lagoa da Serra em Sergipe), o Diabo Louro é ferido em ambas as mãos, perdendo a capacidade para atirar. Dadá, então, torna-se a primeira e única mulher a tomar parte ativa - e não meramente defensiva - nas lutas do cangaço.
Se o marido era temido como um dos mais violentos bandoleiros, consta que muitas pessoas tiveram sua vida poupada graças à intervenção de sua companheira. Dadá também era chamada "
Sussuarana do Cangaço".
Por sua luta e representatividade feminina, Dadá foi, na
década de 80, homenageada pela Câmara Municipal de Salvador. Na Bahia, que tivera Gláuber Rocha e tantos outros a retratar o cangaço nas artes, Dadá era a última prova viva a testemunhar o cotidiano de lutas, dificuldades e, também, de alegrias e divertimentos. Deu muitas entrevistas, demonstrando sua inteligência e desenvoltura. Morreu, na capital baiana, em 1994.

Maria Bonita


A primeira mulher a participar de um grupo de cangaceiros. Assim foi Maria Gomes de Oliveira, conhecida como Maria Bonita. Nascida em 08/03/1911 (não por acaso o Dia Internacional da Mulher!!) numa fazenda em Santa Brígida, Bahia. Filha de Maria Joaquina Conceição Oliveira e José Gomes de Oliveira, Maria Bonita casou-se aos 15 anos. Seu casamento desde o início foi muito conturbado. José Miguel da Silva, sapateiro e conhecido como Zé Neném vivia às turras com Maria. O casal não teve filhos. Zé era estéril.

A cada briga do casal, Maria Bonita refugiava-se na casa dos pais. E numa dessas “fugas domésticas” ela reencontrou Virgulino, o Lampião, em 1929. Ele e seu grupo estavam passando pela fazenda da família. Virgulino era antigo conhecido da família Oliveira. Esse trajeto era feito com freqüência por ele, uma espécie de parada obrigatória do cangaceiro.

Os pais de Maria Bonita gostavam muito do “Rei do Cangaço”. Sem querer a mãe da moça serviu de cupido entre ela e Lampião. Como? Contando ao rapaz a admiração da filha por ele. Dias depois, Lampião estava passando pela fazenda e viu Maria. Foi amor à primeira vista. Com um tipo físico bem brasileiro: baixinha, rechonchuda, olhos e cabelos castanhos Maria Bonita era considerada uma mulher interessante. A atração foi recíproca. A partir daí, começou uma grande história de companheirismo e (por que não!) amor.

Um ano depois de conhecer Maria, Lampião a chamou para integrar o bando. Nesse momento, Maria Bonita entrou para a história. Ela foi a primeira mulher a fazer parte de um grupo do Cangaço. Depois dela, outras mulheres passaram a integrar os bandos.
Maria Bonita conviveu durante oito anos com Lampião. Teve uma filha, Expedita, e três abortos. Como seguidora do bando, Maria foi ferida apenas uma vez. No dia 28 de julho de 1938, durante um ataque ao bando um dos casais mais famosos do País foi brutalmente assassinado. Segundo depoimento dos médicos que fizeram a autópsia do casal, Maria Bonita foi degolada viva.

Por Raquel Silveira (http://www.experta.com.br/tariqexperta/nos/elas_ousaram.html)

quinta-feira, 4 de março de 2010

Dora Maar



Fotógrafa e pintora francesa nascida em Tours, Oeste da França, que viveu (1936-1943) com o famoso Pablo Picasso e posou como modelo para alguns quadros do pintor, além de fotografar o processo de criação da obra Guernica (1937).
Filha de pai iugoslavo e de mãe francesa da região de Touraine, ela cresceu na Argentina. Apresentada a Picasso pelo poeta Paul Eluard (1936) no terraço do café Les Deux Magots, em Saint-Germain-des Prés e logo sentiu-se atraído pela sua beleza e rapidamente se tornou a mulher mais importante da sua vida. Com pouco mais de 30 anos e com uma personalidade forte e séria, foi capaz de compreender e até ajudar Picasso no seu trabalho.
E assim iniciou-se uma relação profissional e íntima, no flat da Rue de la Boetie, onde o artista pintou série de gravuras que com ela como modelo. O relacionamento durou por cerca de nove anos, justamente durante os negros anos das guerras da Espanha e Mundial. A relação começou a se degradar após ela se descobrir uma mulher estéril e, nesta perspectiva, incapaz de concorrer com a rival Marie-Thérèse Walter. Morreu em Paris, França.

Camille Claudel


Camille Claudel, irmã do poeta Paul Claudel, é mais conhecida por sua vida atribulada que por seu trabalho. Aos 19 anos, conhece Auguste Rodin, 24 anos mais velho que ela, escultor que se torna seu mestre e amante. Um amor ardente e secreto que durou dez anos. Mas Rodin nunca abandou sua primeira amante, Rose Beuret, com quem se casou em 1917. Quando Rodin retorna em definitivo e totalmente ao seu antigo amor, começa a tragédia de Camille, que se fecha em seu estúdio e se entrega a uma solidão obsessiva. Só sai às noites.
Sua vida está relacionada à de Rodin até 1898, ano em que se separaram. A partir de 1906, arremete contra sua obra, destruindo grande parte de sua produção, numa espécie de exorcismo, como uma forma de livrar-se daquilo que ainda a vinculava ao homem amado e com a obsessiva dor do abandono, gravado em uma de suas esculturas.
Em 10 de março de 1913, por ordem de sua mãe e de seu irmão, ela é internada em um asilo de loucos em Ville-Evrard e, um ano depois, transferida para o hospital psiquiátrico de Montdevergues, que lhe dará abrigo até sua morte, trinta anos depois.
Rodin, envia-lhe algum dinheiro, expõe algumas das esculturas de Camille que sobreviveram à destruição, mas nada faz para liberá-la do hospital. Camille Claudel morre em sua prisão psiquiátrica em 1943, com a idade de 78 anos. Esquecida do mundo, morre sem glória, sendo enterrada, anonimamente, em uma vala comum.

Frida Kahlo


Filha do fotógrafo judeu-alemão Guilhermo Kahlo e de Matilde Calderón e Gonzalez, uma mestiça mexicana. Em 1913, com seis anos, Frida contrai poliomielite, que deixa uma lesão no seu pé direito, ganhando o apelido Frida pata de palo (ou seja, Frida perna de pau). A partir disso ela começou a usar calças e longas e exóticas saias, uma de suas marcas pessoais. Entre 1922 e 1925 frequenta a Escola Nacional Preparatória do Distrito Federal do México.
Em 1928 ao entrar no Partido comunista mexicano, ela conhece o muralista
Diego Rivera, com quem se casou aos 21 anos em 1929. Casamento tumultuado pois ambos tinham temperamentos fortes e casos extraconjugais. Kahlo que era bissexual esteve relacionada com Leon Trotski depois de separar-se de Diego, que aceitava abertamente os relacionamentos de Kahlo com mulheres, mas nunca com homens. Frida e Diego unem-se novamente em 1940, mas o segundo casamento foi tão tempestuoso quanto o primeiro.
Alguns de seus primeiros trabalhos incluem o "Auto-retrato em um vestido de veludo" (1926), "retrato de Miguel N. Lira" (1927), "retrato de Alicia Galant" (1927) e "retrato de minha irmã Christina" (1928)
Depois de algumas tentativas de suicídio com facas e martelos, em 13 de julho de 1954, Frida Kahlo, foi encontrada morta. Seu atestado de óbito registra embolia pulmonar. Mas não se descarta que ela tenha morrido de overdose, acidental ou não. Pesquisadores com base na autópsia de Frida acreditam ter sido envenenada por uma das amantes de seu então marido. Diego Rivera descreveu em sua auto-biografia que o dia da morte de Frida foi o mais trágico de sua vida.

quarta-feira, 3 de março de 2010

WOMAN - JOHN LENNON


Woman
I can hardly express
My mixed emotions at my thoughtlessness
After all I'm forever in your debt
And woman I will try to express
My inner feelings and thankfulness
For showing me the meaning of success
Ooh, well, well
Doo, doo, doo, doo, doo
Ooh, well, well
Doo, doo, doo, doo, doo
Woman I know you understand
The little child inside of the man
Please remember my life is in your hands
And woman hold me close to your heart
However distant don't keep us apart
After all it is written in the stars
Ooh, well, well
Doo, doo, doo, doo, doo
Ooh, well, well
Doo, doo, doo, doo, doo
Wellll
Woman please let me explain
I never meant to cause you sorrow or pain
So let me tell you again and again and again
I love you, yeah, yeah
Now and forever
I love you, yeah, yeah
Now and forever
I love you, yeah, yeah
Now and forever
I love you, yeah, yeah

terça-feira, 2 de março de 2010

Florbela Espanca



Poetisa portuguesa, natural de Vila Viçosa (Alentejo). Nasceu filha ilegítima de João Maria Espanca e de Antónia da Conceição Lobo, que morreu com apenas 36 anos, de uma doença que ninguém entendeu, mas que veio designada na certidão de óbito como nevrose.

Registada como filha de pai incógnito, foi todavia educada pelo pai e pela madrasta, Mariana Espanca, em Vila Viçosa.

Note-se como curiosidade que o pai, que sempre a acompanhou, só 19 anos após a morte da poetisa, por altura da inauguração do seu busto, em Évora, e por insistência de um grupo de florbelianos, a perfilhou. Estudou no liceu de Évora, mas só depois do seu casamento (1913) com Alberto Moutinho concluiu, em 1917, a secção de Letras do Curso dos Liceus.

Em Dezembro de 1930, agravados os problemas de saúde e de ordem psicológica, Florbela morreu em Matosinhos, tendo sido apresentada como causa da morte, oficialmente, um edema pulmonar.

Fumo


Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas;
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!


Fanatismo


Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!...
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!...


Cecilia Meireles

"Aprendi com a primavera a me deixar cortar. E a voltar sempre inteira."


Filha de Carlos Alberto de Carvalho Meireles, funcionário do Banco do Brasil S.A., e de D. Matilde Benevides Meireles, professora municipal, Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, na Tijuca, Rio de Janeiro. Foi a única sobrevivente dos quatros filhos do casal. O pai faleceu três meses antes do seu nascimento, e sua mãe quando ainda não tinha três anos. Criou-a, a partir de então, sua avó D. Jacinta Garcia Benevides.



"O Amor...É difícil para os indecisos.
É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!
Mas, os vencedores no amor são os fortes.
Os que sabem o que querem e querem o que têm!
Sonhar um sonho a dois,
e nunca desistir da busca de ser feliz,
é para poucos!!"

Elizabeth Barrett Browning


Das coisas que eu amo visceralmente
Elizabeth Barrett Browning (poetisa inglesa, 1806-1861)



Amo-te quanto em largo, alto e profundo
Minh’alma alcança quando, transportada,
Sente, alongando os olhos deste mundo,
Os fins do Ser, a Graça entressonhada.
Amo-te em cada dia, hora e segundo:
À luz do sol, na noite sossegada.
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não pedem nada.
Amo-te com o doer da velhas penas;
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
E a fé da minha infância, ingenua e forte.
Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida.
E, assim Deus o quisesse,
Ainda mais te amarei depois da morte.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Anaïs Nin


Anaïs Nin (21/02/de 1903), nasceu em Neuilly, perto de Paris e morreu em 14/01/1977 em Los Angeles. Batizada Angela Anais Juana Antolina Rosa Edelmira Nin y Culmell, era filha do compositor Joaquin Nin, cubano criado na Espanha e Rosa Culmell y Vigaraud, de origens cubana, francesa e dinamarquesa. Anaïs Nin tornou-se famosa pela publicação de diários pessoais, que medem um período de quarenta anos, começando quando tinha doze anos. Foi amante de Henry Miller e só permitiu que seus diários fossem publicados após a morte de seu marido Hugh Guiler.


Seus romances e narrativas, impregnados de conteúdo erótico foram profundamente influenciados pela obra de James Joyce e a psicanálise. Dentre suas obras destaca-se Delta de Vênus (1977), traduzido para todas as línguas ocidentais, aclamado pela crítica americana e européia.

Anaïs Nin - Mulher


Eu escolho um homem
que não duvide de minha coragem
que não me acredite inocente
que tenha a coragem
de me tratar
como uma mulher

- Anais Nin

Clarice Lispector



Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.
Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.
(Clarice Lispector)

Conclusões de Aninha

Estavam ali parados. Marido e mulher.
Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça
tímida, humilde, sofrida.
Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho,
e tudo que tinha dentro.
Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar
novo rancho e comprar suas pobrezinhas.

O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula,
entregou sem palavra.
A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,
se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar
E não abriu a bolsa.
Qual dos dois ajudou mais?

Donde se infere que o homem ajuda sem participar
e a mulher participa sem ajudar.
Da mesma forma aquela sentença:
"A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar."
Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada,
o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso
e ensinar a paciência do pescador.
Você faria isso, Leitor?
Antes que tudo isso se fizesse
o desvalido não morreria de fome?
Conclusão:
Na prática, a teoria é outra.



Cora Coralina (Ana Lins do Guimarães Peixoto Brêtas), 20/08/1889 — 10/04/1985, é a grande poetisa do Estado de Goiás. Em 1903 já escrevia poemas sobre seu cotidiano, tendo criado, juntamente com duas amigas, em 1908, o jornal de poemas femininos "A Rosa". Em 1910, seu primeiro conto, "Tragédia na Roça", é publicado no "Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás", já com o pseudônimo de Cora Coralina. Em 1911 conhece o advogado divorciado Cantídio Tolentino Brêtas, com quem foge. Vai para Jaboticabal (SP), onde nascem seus seis filhos: Paraguaçu, Enéias, Cantídio, Jacintha, Ísis e Vicência. Seu marido a proíbe de integrar-se à Semana de Arte Moderna, a convite de Monteiro Lobato, em 1922. Em 1928 muda-se para São Paulo (SP). Em 1934, torna-se vendedora de livros da editora José Olimpio que, em 1965, lança seu primeiro livro, "O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais". Em 1976, é lançado "Meu Livro de Cordel", pela editora Cultura Goiana. Em 1980, Carlos Drummond de Andrade, como era de seu feitio, após ler alguns escritos da autora, manda-lhe uma carta elogiando seu trabalho, a qual, ao ser divulgada, desperta o interesse do público leitor e a faz ficar conhecida em todo o Brasil.
Fonte: 
Releituras