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sábado, 9 de abril de 2011

HOMO HIPOCRITUS...





Antes de ser um homem da sociedade, sou-o da natureza.”


(O outro) – Ciumenta!

-– Ciumenta, eu?

Claro que não, ciúmes são para não civilizados.

Amor, paixão... Atração sexual, feromônios!

Há várias maneiras para se discutir e justificar um relacionamento; mas no final de toda a discussão sobre o tema sempre se acaba apelando para o politicamente correto... Sempre o racional é chamado para justificar e controlar o bicho em nós...

Bichos domesticados não têm vontades... Não podem ter... Devem sempre se comportar... Obedecer... E, humildemente reconhecer o seu lugar... Bichos domesticados são bonzinhos... Educados... Não atrapalham... Fazem xixi e coco onde foi indicado... São treinados... Devem se calar quando mandarem e devem de cabeça baixa e abanando o rabo se dirigir ao dono sempre que solicitado... Devem sempre estar dispostos a um carinho, mesmo que com dor de dentes ou barriga... Bichos com personalidades são selvagens... São bárbaros e por isso mesmo inconvenientes e merecem ser banidos do convívio social..( O que aliás agradecem de antemão...)

Pois então... Onde foram parar nossos instintos... O que aconteceu com o bicho em nós??? Morreu??? Claro que não, do contrário não teríamos teses cientificistas a respeito de feromônios, por exemplo... Ahhhhhhhhh, dirão alguns que está submetido ao comando da razão... Afinal sempre fomos muito mais do que reles animais... Somos animais racionais!!! Ou... Animais autodomesticáveis...

Pois estou cansada de tagarelice... Minha razão me avisa o tempo todo dos perigos e incoerência das paixões e no entanto... No entanto, ela nada pode contra minhas tendências... Acabo sempre me dando... Me entregando... Desejando o que ela me diz ser pernicioso... Então, quero que se cale em mim a voz estridente, irritante e impotente da razão... Que mais parece aquela tia velha e recalcada reclamando obediência e repressão o tempo todo e que no entanto não tem fôlego para alcançar o traquina desobediente que insiste em correr atrás do que tem vontade... Cansei... Separemos o joio do trigo... Razão é razão e paixão é paixão!!! Cada um, cada um!!! Se for para elaborar uma tese para o bem da humanidade que se apresente a razão com sua orgulhosa sapiência... Mas se o assunto for paixão que seja então sepultada a tia velha... Se fui fêmea e me dei... Se fui fêmea pra em quatro patas me servir a você e recebê-lo completamente em minha carne... Em minhas entranhas... Se depois do gozo, como simplesmente fêmea, lambi o resto de seu sêmen... Se fui fêmea para como qualquer outro animal acasalar com você e com você me lambuzar nesse cio... Quero também marcar meu território... Quero mijar em você!!!! E assim todos estarão avisados... E, se teimarem... Se ousarem se aproximar do meu macho... Ai então terão que ser só bicho também... Quero morder... Quero ofender... Quero arranhar... E, descabelada, ,babando e urrando bater no peito e gritar que o que conquistei como animal... Como animal defenderei... Estou cansada da civilização... Todos escondem seu animal atrás de etiquetas e amabilidades... E, é só da sutileza que nasce a crueldade... Estou cansada de hipocrisias... O homo sapiens fácil se tornou o homo hipocritus...

Ciúmes??? Eu ??? Que besteira... rs

sábado, 26 de março de 2011

O nosso ontem em um novo hoje




Ainda me lembro, como se fosse hoje, de seu corpo esparramado na cama...

Eu me limitava a proferir aquele mesmo discurso comum e tolo de sempre, querendo discutir os detalhes do casamento e preparar a lista do enxoval!

Mas era sábado de manhã... E... e tudo que você queria era estar ali, ao meu lado, aproveitando o momento e se livrando do peso de uma semana que não havia sido nada fácil...

Talvez, naquele instante, eu simplesmente não pudesse te entender... A ansiedade tomava conta demais do meu coração e eu conseguia vislumbrar a cena do nosso beijo na igreja, a recepção dos convidados e, em seguida... ah, a tão sonhada noite de núpcias!

Você tinha razão, meu querido... Eu deveria ter me dedicado muito mais a "nós" às vésperas do casamento, para que não nos perdêssemos em meio aos rituais.

Hoje, estamos casados, tudo saiu nos conformes... A cerimônia estava deslumbrante, a festa foi de um luxo inimaginável... A lua-de-mel? Um sonho!

Contudo... e nós? O que restou de nós para sobreviver à dura rotina que se coloca diante de nossas janelas?

Sinceramente, tenho medo... Passado todo o alvoroço, hoje sou eu quem te peço um minuto de paz, um abraço prolongado, alguns momentos a mais na cama...

Quero te sentir, quero te tocar... Desejo acreditar que esse casamento aconteceu também dentro de nós, entre quatro paredes... e não apenas lá fora, para todo mundo olhar e aplaudir!

Te peço, meu amor... Transformemos o nosso ontem em um novo hoje!
Perdão pelos erros... eles são intrínsecos a mim, assim como a você...

Acho que a gente ainda tem chance de "se casar" melhor!