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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Poesia













Mulheres

Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.
Elas brigam por aquilo em que acreditam.
Elas levantam-se para a injustiça.
Elas não aceitam "não" como resposta
quando acreditam que existe melhor solução.
Elas andam sem novos sapatos
para as suas crianças os poderem ter.
Elas vão ao médico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.
Elas choram quando as suas crianças adoecem
e se alegram quando suas crianças ganham prémios.
Elas ficam contentes quando ouvem acerca
de um aniversário ou de um novo casamento.

  Pablo Neruda

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Aviso

Aviso aos Amigos e seguidores deste Blog
Por problemas de saúde, deixei de escrever textos novos para o Blog.
Por enquanto, coloco esta poesia do Pablo Neruda, para preencher o espaço que o Wellington criou com tanto esforço e dedicação. Logo voltarei a postar novidades para vocês.
Boa tarde a todos.
Silvana Araújo.












Se cada dia cai


Se cada dia cai,
Dentro de cada noite,
Há um poço onde a claridade está presa.
Há que sentar-se na beira do poço da sombra
E pescar a luz caída com paciência.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Oda ao Vino

 

 VINO color de día,
vino color de noche,
vino con pies de púrpura
o sangre de topacio,
vino,
estrellado hijo
de la tierra,
vino, liso
como una espada de oro,
suave
como un desordenado terciopelo,
vino encaracolado
y suspendido,
amoroso,
marino,
nunca has cabido en una copa,
en un canto, en un hombre,
coral, gregario eres,
y cuando menos, mutuo.
A veces
te nutres de recuerdos
mortales,
en tu ola
vamos de tumba en tumba,
picapedrero de sepulcro helado,
y lloramos
lágrimas transitorias,
pero
tu hermoso
traje de primavera
es diferente,
el corazón sube a las ramas,
el viento mueve el día,
nada queda
dentro de tu alma inmóvil.
El vino
mueve la primavera,
crece como una planta la alegría,
caen muros,
peñascos,
se cierran los abismos,
nace el canto.
Oh tú, jarra de vino, en el desierto
con la sabrosa que amo,
dijo el viejo poeta.
Que el cántaro de vino
al beso del amor sume su beso.

Amor mio, de pronto
tu cadera
es la curva colmada
de la copa,
tu pecho es el racimo,
la luz del alcohol tu cabellera,
las uvas tus pezones,
tu ombligo sello puro
estampado en tu vientre de vasija,
y tu amor la cascada
de vino inextinguible,
la claridad que cae en mis sentidos,
el esplendor terrestre de la vida.

Pero no sólo amor,
beso quemante
o corazón quemado
eres, vino de vida,
sino
amistad de los seres, transparencia,
coro de disciplina,
abundancia de flores.
Amo sobre una mesa,
cuando se habla,
la luz de una botella
de inteligente vino.
Que lo beban,
que recuerden en cada
gota de oro
o copa de topacio
o cuchara de púrpura
que trabajó el otoño
hasta llenar de vino las vasijas
y aprenda el hombre oscuro,
en el ceremonial de su negocio,
a recordar la tierra y sus deberes,
a propagar el cántico del fruto.


Pablo Neruda, Odas Elementales
- Atendendo a pedidos!
- Grato a Márcia Freitas, Ilha de Inspiração!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Ode ao Vinho - Pablo Neruda

 

Vinho cor de dia,
Vinho cor de noite,
vinho com pés de púrpura
ou sangue de topázio,
vinho,
despedaçado filho
da terra,
vinho, liso
como uma espada de ouro,
suave
como um desordenado veludo,
Vinho
encaracolado
e suspenso,
amoroso,
marinho,
nunca coubeste numa taça,
num canto, num homem,
coral,
gregário
és,
e quando menos, mútuo.

As vezes
te nutres de lembranças
mortais,
em tua onda
vamos de túmulo em túmulo,
canteiro de sepulcro gelado,
e choramos
lágrimas transitórias,
mas
teu formoso
traje de primavera
é diferente,
o coração sobe aos galhos,
o vento move o dia,
nada fica
dentro de tua alma imóvel.
O vinho
move a primavera,
cresce, como uma planta, a alegria,
caem muros,
penhascos,
fecham-se os abismos,
nasce o canto.

Ó tu, jarra de vinho, no deserto
com a gostosa que amo,
disse o velho poeta.
Que o cântaro de vinho
ao beijo do amor some seu beijo.

Amor meu, de repente
teu quadril
é a curva cheia
da taça,
teu peito é o racimo,
a luz do álcool tua cabeleira,
as uvas teus mamilos,
teu umbigo selo puro
desenhado em teu ventre de vasilha,
e teu amor a cachoeira
de vinho
inextinguível
,
a clareza que cai em meus sentidos,
o esplendor terrestre da vida.
Mas não só amor,
beijo
ardente

ou coração queimado
és, vinho de vida,
também
amizade dos seres, transparência,
coro de disciplina,
abundância de flores.

Amo sobre uma mesa,
quando se fala,
a luz de uma garrafa
de inteligente vinho.
Que o bebam,
que recordem em cada
gota de ouro
ou taça de topázio
ou colher de púrpura
que trabalhou o outono
até encher de vinho as vasilhas
e aprenda o homem obscuro,
no cerimonial de seu negócio,
a lembrar a terra e seus deveres,
a propagar o cântico do fruto.