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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A Dança - Pablo Neruda


Não te amo como se fosses a rosa de sal, topázio
Ou flechas de cravos que propagam o fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
E graças a teu amor vive escuro em meu corpo
O apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
Te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Senão assim deste modo que não sou nem és,
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Antes de amar-te, amor, nada era meu:
Vacilei pelas ruas e as coisas.
Nada contava nem tinha nome.
O mundo era do ar que esperava
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se dependiam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo.
Caído, abandonado, decaído,
Tudo era inalianavelmente alheio.
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.

9 comentários:

  1. Estrelinha

    Mesmo em OFF hoje, não posso deixar de comentar teu post. Está lindo este poema do Neruda.
    Parabéns amiga.
    Bjusss
    Sil

    PS. Contente em saber que o Blog do Well está reiniciando aos poucos. Ele merece.

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  2. Oi Tatiana!
    Amei seu blog!
    Encantador...
    Parabéns! *-*
    Postagens muito lindas e comoventes, realmente me tocou..
    Seguino!!!
    Grande Abraço!
    Fica com Deus!
    :-}

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  3. Olá querida amiga!
    Gostei da sua postagem...mais uma fonte de cultura que descobri! penso que é a primeira vez que cá venho, vou seguir o seu blogue, gostei. Siga os meus também!

    www.congulolundo.blogspot.com
    www.queriaserselvagem.blogspot.com
    www.minhaalmaempoemas.blogspot.com
    www.angolaeseusfilhos.blogspot.com
    www.inforvideo.blogspot.com

    Um grande abração e até sempre

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  4. Liquidou, Tati! Neruda é incomparável! Amo a poesia e a prosa chilena, além dos vinhos, claro! xêro!

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  5. Gostei do jeito que, no texto, reservas o amor. Me lembra Quitana...
    "Se tu me amas, ama-me baixinho. Não o grites de cima dos telhados. Deixa em paz os passarinhos..."

    Dê ua passadinha pelo meu, começando agora, no blog.

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  6. Depois de um amor assim, só me resta o suspiro, o desejar o poeta.

    Um abraço,

    Suzana/LILY

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  7. Ah, que venha 2011, estaremos preparados, ou, se não, aprenderemos no caminho, durante!

    Beijos,

    Suzana/LILY

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  8. "Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
    Te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho:
    Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
    Senão assim deste modo que não sou nem és,
    Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
    Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho."

    Lindo demais!!

    Sempre fui apaixonada por Neruda, por esse poema e por esse trecho em especial...

    Você tornou tudo mais belo por aqui...

    Beijos, com amor!!

    ^^

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